Lusitânia
Aetheria
Uma vila costeira de granito, nevoeiro e redes de pesca a secar. Um Atlântico que nunca aprendeu a ser dócil. É onde Tiago aprendeu o que é o Norte.
- O cais número quatro
- A taberna O Velho Marinheiro
- O sal que não sai da pele
Romance · Jorge Sebastião
Um romance sobre ética, família e a coragem de recomeçar.
O embate entre um pai que vende o futuro e um filho que luta para o restaurar.
Sinopse
No inverno de Aetheria, uma vila de granito e sal na costa da Lusitânia, Tiago Johnson senta-se pela última vez no muro do cais número quatro. Dentro de poucos dias, a família parte para Kharistan, onde o pai, o engenheiro António Johnson, vai liderar um projeto de dez mil milhões de dólares: ilhas erguidas onde antes só havia mar.
Do primo Duarte, Tiago leva uma bússola de latão que pertenceu ao avô de Duarte, uma garrafa com a areia da praia e uma promessa. Todas as semanas, vai contar-lhe a verdadeira cor da água.
Em Al-Qasr, a cidade de vidro, o ar condicionado abafa o silêncio e toda a gente olha para o mar como se fosse um estaleiro vazio. Até Tiago conhecer Samira, filha de um vice-ministro, e segurar nas mãos um pedaço de coral branqueado pelo lodo das dragas. Os relatórios ambientais que autorizam a obra são falsos. E a obra é a do seu pai.
O Norte de Vidro é um romance sobre o preço do progresso e sobre o que acontece quando a lealdade à família entra em rota de colisão com a integridade. Entre dois mundos, um rapaz tem de decidir para onde aponta a sua bússola.
Dois mundos
A história mora entre a costa que Tiago deixa e a cidade que o recebe. O que as separa é muito mais do que o deserto.
Lusitânia
Uma vila costeira de granito, nevoeiro e redes de pesca a secar. Um Atlântico que nunca aprendeu a ser dócil. É onde Tiago aprendeu o que é o Norte.
Kharistan
Uma cidade com pressa de futuro. Torres de vidro, escolas de espelhos e dragas a trabalhar dia e noite sobre os corais. Aqui, tudo se resolve por contrato.
“O Norte não muda porque tu mudas de país.”
A estrutura
A despedida de Aetheria, o pacto da bússola e a viagem para um deserto que respira.
A vida na Villa Al-Qasr, a escola de espelhos, o encontro com Samira e o que as dragas estão a fazer ao mar.
Os contratos, a lealdade a um pai e a verdade entram em rota de colisão. O caminho de volta passa pelo mar.
Excerto
Capítulo 1 · O Sal nos Penhascos
O inverno em Aetheria não era apenas uma estação; era um estado de espírito que se entranhava nos ossos. O vento de noroeste fustigava as fachadas de granito das casas, trazendo consigo o cheiro metálico e bruto de um Atlântico que nunca aprendera a ser dócil. Naquela manhã, o céu tinha a cor de chumbo polido, fundindo-se com o mar num horizonte indistinguível.
Tiago Johnson estava sentado no muro do cais número quatro, o seu lugar de refúgio desde os sete anos. As pernas balançavam sobre o abismo onde as ondas rebentavam com uma violência hipnótica, lançando gotas de água fria que lhe salpicavam o rosto. Ele não se desviava. O frio era a única coisa que o fazia sentir-se acordado enquanto o resto da sua vida estava a ser empacotado em caixas de cartão.
“O Norte não muda porque tu mudas de país, Tiago.”
Duarte · Capítulo 2
“O mar nunca se rende, pai. Ele só espera.”
Tiago · Capítulo 3
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